Santa Clara nasceu em 1193, na cidade de Assis, Itália. De origem nobre, era filha de Hortolana e Favarone de Offreduccio. Sua mãe, profundamente piedosa, com frequência peregrinava à Terra Santa, Roma e Monte Gargano. Quando grávida de Clara, ao rezar diante do Crucifixo e pedir um bom parto, escutou que daria à luz uma Luz que iluminaria todo o mundo.

De Hortolana, Clara aprendeu a prática da oração, em especial o Pai-Nosso, com o qual contava com pedrinhas, e também da caridade com os pobres e leprosos. Entre 1200 e 1204, refugia-se com sua família em Perusa durante uma guerra civil entre os nobres e a burguesia em Assis, em que o jovem Francisco teve parte. Ao retornar para a cidade natal, nutre profundo desejo de pertencer somente a Cristo, embora fosse destinada ao matrimônio.
A partir de 1210, escuta as pregações de Francisco e começa a encontrá-lo acompanhados por um frade e uma amiga. Francisco “destila os doces esponsais com Cristo” e lhe aponta por palavras e exemplo o caminho do Cristo Pobre e Crucificado. Por ser nobre e filha mais velha, sua família não aceita que ela se despoje de sua posição social.
Durante a Celebração do Domingo de Ramos de 1211, o Bispo Dom Guido de Assis lhe entrega um ramo em suas próprias mãos como sinal de que sua fuga de casa estava pronta. Clara, naquela noite, se dirige com suas melhores vestes para a igrejinha de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, onde, pelas mãos de Francisco, tem os cabelos cortados e se consagra ao Esposo Jesus Cristo no altar da Virgem Maria. Refugia-se por alguns dias no Mosteiro Beneditino de São Paulo das Abadessas e em seguida na Igreja de Santo Angelo de Panzo, para finalmente ser conduzida por Francisco ao Mosteiro de São Damião, onde viveu por 42 anos.
Instalada no pequeno Mosteiro, viveu a humildade, a pobreza e a caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, em constante oração e contemplação, dedicando-se entre os momentos de oração aos trabalhos manuais. No recinto apertado, dividia o espaço entre 50 Irmãs. Lutou por toda a vida para viver a Altíssima Pobreza, da qual pediu o privilégio ao Sumo Pontífice para viver. Precisou aceitar, contra sua vontade, o título de Abadessa, devido a questões jurídicas, mas fez do cargo uma ocasião ainda mais profunda para servir cada Irmã, inclusive lavando os pés das Irmãs.
Com 32 anos ficou gravemente enferma e permaneceu os próximos 28 anos de sua vida em grande parte acamada.

Em 1240, ao ser o claustro de São Damião invadido por mercenários sarracenos, Clara colocou toda a sua confiança no Santíssimo Sacramento, trazendo-O em uma pequena caixinha de marfim e pedindo Sua proteção. A tropa foi afastada e tanto as Irmãs quanto a cidade de Assis ficaram à salvo.
No seu último Natal, prostrada na cama devido à sua enfermidade, teve a visão da celebração realizada pelos Frades Menores na Basílica de São Francisco, vendo inclusive o Presépio.
Santa Clara desejava garantir que suas irmãs e filhas pudessem viver a inspiração que tivera da Altíssima Pobreza e Santa Unidade. Para isso, escreveu uma Regra, também chamada Forma de Vida, a primeira escrita por uma mulher, cuja aprovação se deu no dia 9 de agosto de 1253. Recebeu a Regra com a aprovação Papal no dia seguinte, e em 11 de agosto de 1253 adentrou o Reino Celeste para viver na eternidade com seu Esposo, Jesus Cristo. Foi canonizada pelo Papa Alexandre IV em 1255.

