COMENTÁRIO INICIAL: Esse ano celebramos o VIII centenário da passagem para vida eterna de São Francisco de Assis, esse encontro com a irmã morte corporal aconteceu em um dos lugares mais queridos por Francisco: a capela de Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula, que para Francisco representava a imagem da Virgem Maria pobrezinha.
A Igreja foi restaurada em 1207, por Francisco, e em 1208, ao ouvir naquela capela o texto do Evangelho, Francisco percebeu sua vocação. No mesmo ano de 1208 Francisco recebeu ali seus três primeiros companheiros, e em 1210, obteve oficialmente a permissão para ocupar definitivamente a Porciúncula. Em 1212, acolheu nessa mesma igreja, Clara de Assis, iniciando com ela a à Ordem das Senhoras Pobres de São Damião, as Clarissas. Em 1216, Francisco pede ao Papa Honório III a indulgência conhecida como indulgência de Porciúncula. No dia 2 de agosto daquele ano, a capela, segundo a tradição, foi consagrada, estando presentes sete bispos da região, ocasião em que foi solenemente anunciada ao povo a indulgência. Em 4 de outubro de 1226, Francisco entrega sua alma a Deus nessa pequena Igreja compondo a última parte do Cântico das Criaturas, no qual, após os louvores de toda a Criação, Francisco louva a Irmã morte corporal, da qual ser algum pode escapar.
MEDITAÇÃO APÓS A COMUNHÃO: Recordar o octogésimo aniversário da passagem de São Francisco da terra para o céu. Para o homem medieval, a morte era algo aterrador e punitivo. Francisco rompe com esse padrão por meio de três pilares conceituais, ele distingue entre o fim do corpo físico e o destino da alma. A morte física é um processo natural do qual “nenhum homem vivo pode escapar”. Aceitar essa limitação é, para Francisco, o maior ato de humildade. Francisco introduz uma advertência moral: o verdadeiro perigo não é o fim do corpo, mas a “segunda morte” (a condenação eterna). Bem-aventurados os que morrem na graça de Deus (“segundo a vossa santíssima vontade”). Ai dos que morrem em pecado. A morte física torna-se, assim, uma porta: terrível para os apegados ao ego e às coisas materiais, mas doce para os que viveram em harmonia com o Criador. A morte é transformada assim de um evento biológico em um evento relacional: ela se torna parte da criação louvável, oferece acolhimento e paz e se torna a transição para a verdadeira Vida. Em Francisco, a morte perde seu poder avassalador porque é “evangelizada”. Ele não louva a morte em si, mas louva a Deus por meio dela, reconhecendo que até mesmo o fim da vida terrena contribui para o bem da alma.
Começar a nossa novena com o tema da irmã morte, no dia em que recebemos a indulgencia da Porciúncula, obtida por Francisco com o único desejo de levar-nos todos para o céu, é ter a certeza de que esses dois companheiros de viagem Francisco e Clara, caminham conosco, como intercessores, mestres e guias de uma jornada que eles já completaram, e esperam-nos ansiosamente, porque foi assim que Francisco respondeu ao Papa quando ele perguntou por quantos anos desejava aquela indulgencia: “Santo Padre, não peço anos, mas almas .” E alguns dias depois, junto com os bispos da Úmbria e o povo reunido na Porciúncula, ele disse entre lágrimas: “Meus irmãos, quero enviar todos vocês para o Céu!”




