Novena 2026 – O Discernimento vocacional de Clara de Assis

Meditação apresentada na Santa Missa do 5º dia da Novena em honra a Santa Clara

COMENTÁRIO INICIAL: Quando Clara tinha apenas dez anos de idade, eclode a guerra entre Assis e Perugia, era uma guerra de classes: plebeus e comerciantes contra os nobres. Clara e sua nobre família fogem para Perugia. Francisco, então, com 20 anos, filho de comerciante participa da guerra contra os nobres. Capturado é preso pelos inimigos. Um ano depois, muito doente, é resgatado pelo pai, e retorna a Assis. Com o fim da guerra, os nobres também regressam, a família de Clara volta para o seu palácio situado na praça principal de Assis.

Em 1204 durante sua longa doença Francisco inicia seu itinerário de conversão. Clara acompanha todo o processo de Franciso, pois toda a Assis comenta sobre o filho do comerciante Bernadone que parecia estar louco. Francisco que abandonando casa e família, despe-se em plena praça e decide-se a viver entre leprosos, restaurando Igrejas abandonadas, fazendo penitência, pedindo esmolas, rezando pelos campos de Assis, apaixonado pelo Cristo Pobre e Crucificado. Logo se juntam mais companheiros a Francisco, está começando assim o movimento franciscano.

Neste sexto dia da Novena em que celebramos a festa da Transfiguraç05ão do Senhor, vamos acompanhar Clara em seu discernimento vocacional, tendo como guia e mestre Francisco de Assis.

MEDITAÇÃO APÓS A COMUNHÃO: A realidade eclesial na qual Clara está inserida, oferece diversas possibilidades de consagração já consolidadas, mas é o exemplo do jovem Francisco, que toca ao coração de Clara. Então, procura encontrá-lo, tornando visível o seu caráter decidido, capaz de ir para além das convenções sociais. Tenhamos presente que neste momento Francisco ao olhar de seus concidadãos é apenas um aventureiro, um jovem exaltado, um louco. O projeto de Clara é, por isso, ousado para uma jovem de seu tempo, mas consegue realizá-lo sem que os seus parentes se apercebam.

Vai ter com Francisco acompanhada pela fiel amiga Bona de Guelfuccio e ele   recebe-a com um dos seus primeiros companheiros, o irmão Felipe Longo. Clara o toma como pai e guia, Francisco atento as inspirações do Espírito Santo, fala-lhe do seguimento de Cristo, da alegria de só a Ele pertencer na mais total pobreza. No coração de Clara as palavras de Francisco imprimem-se profundamente indo de encontro ao que ela almejava no desejo da vivencia radical evangélica, fazendo vibrar as cordas mais secretas daquilo que procurava, sem conseguir defini-lo. Mas a nobre filha dos Favarone, para continuar livremente numa procura sincera da vontade divina, não podia dar a conhecer suas intenções aos familiares.

Clara faz-se discípula deste jovem convertido, para viver o santo Evangelho numa forma de vida semelhante a sua. A palavra e o testemunho de Francisco penetram no seu íntimo, e admiravelmente essas palavras estão em sintonia com quanto o Espírito lhe sugeria interiormente. Começa assim seu caminho de contemplação, até que ela seja transformada, transfigurada n’Aquele que contemplará durante 40 anos em São Damião.

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