COMENTÁRIO INICIAL: Clara esteve doente por mais de 28 anos. Ao longo de sua prolongada enfermidade, várias vezes esteve na iminência de morrer. Foi ao longo dessas crises que faziam com que ela chegasse as portas da morte que ela redigiu seu Testamento. escreveu a Benção para as irmãs presentes e futuras, e sua Regra, que será aprovada dois dias antes da sua morte.
A longa enfermidade, com suas frequentes e dolorosas crises que a preparou para seu trânsito final, para seu encontro com a irmã morte corporal. A tarefa de Clara está cumprida, não resta senão um último suspiro para dar Aquele que a criou. A relação com o Tu Divino não tem necessidades de palavras a linguagem do silêncio é infinitamente mais adequada para permanecer sem sombras, nem pensamento algum no Amor que habita no íntimo: assim seu trânsito, sua passagem para vida eterna acontece numa total imersão n’Ele.
A morte é verdadeiramente a páscoa de uma mulher que viveu cada instante da vida seguindo as pegadas de nosso Senhor Jesus Cristo na sua encarnação e pobreza do presépio, no escondimento de sua vida pública, até a nudez da cruz, e agora, entrando na sala nupcial do Cordeiro, segue-O onde quer que ele vá.
Neste último dia da nossa Novena em que fazemos memória do trânsito de Santa Clara, a liturgia nos contempla com a festa de São Lourenço diácono.
APÓS A COMUNHÃO: Já fazia dezessete dias que Clara não conseguir ase alimentar, junto ao seu leito se encontra os primeiros companheiros de Francisco e suas irmãs. Clara prepara-se para morte, espelhando-se sempre mais no Crucificado e conformando-se assim como Cristo. Clara tem agora sessenta anos de idade.
Ao aproximar-se o momento do trânsito, deseja as núpcias eternas com o Esposo celeste. Mas antes disso, Clara recebe a visita de Inocêncio IV e dos cardeais. O Papa entra no mosteiro, vai ao leito de Clara, dá-lhe a mão para que Clara a beije. Ela beija a mão do sumo pontífice agradecida e pede com maior reverência para beijar o pé do Apostólico. Cortês, o santo Padre sobe reverentemente a um banquinho de madeira para ajeitar o pé que ela, reverentemente inclinada, cobre de beijos por cima e por baixo. Depois, pede com rosto angelical ao Sumo Pontífice a remissão de todos os pecados. Quando todos saíram, como tinha recebido nesse dia a hóstia sagrada das mãos do ministro provincial, de olhos levantados para o céu e de mãos juntas para o Senhor, disse às Irmãs, entre lágrimas: “Filhinhas minhas, louvem o Senhor, porque hoje Cristo dignou-se fazer-me tão grande benefício que céu e terra não bastariam para pagar. Hoje, prosseguiu, recebi o Altíssimo e mereci ver o seu Vigário”.
Aproxima-se a hora da partida, Clara, voltando-se para si mesma, diz baixinho a sua alma: “Vá segura, que você tem uma boa escolta para o caminho. Vá, diz, porque aquele que a criou também a santificou; e, guardando-a sempre como uma mãe guarda o filho, amou-a com terno amor. E bendito sejais Vós, Senhor, que me criastes!”. Uma das Irmãs perguntou com quem estava falando, e ela respondeu: “Falo com a minha alma bendita”. Já não estava longe o seu glorioso séquito, pois, virando-se para uma das filhas, disse: “Você está vendo, minha filha, o Rei da glória que eu estou vendo?”. Uma outra irmã teve uma feliz visão, olhando para a porta do quarto viu entrar uma porção de virgens vestidas de branco, todas com grinaldas de ouro na cabeça. Entre elas, caminhava uma mais reluzente que as outras, de cuja coroa, irradiava tanto esplendor que mudava a própria noite em dia luminoso dentro de casa. Ela foi até a cama em que estava a esposa de seu Filho e, inclinando-se com todo amor sobre ela, deu-lhe um terníssimo abraço. As virgens trouxeram um pálio de maravilhosa beleza e, estendendo-o todas à porfia, deixaram o corpo de Clara coberto e o tálamo adornado. No dia seguinte a São Lourenço, Clara foi receber o prêmio eterno.




